
Chamada para contribuições: Pastoralismo e Agroecologia
Em colaboração com a Aliança Mundial dos Povos Indígenas Nômades e Pastoralistas (WAMIP), a Revista Rooted está preparando uma edição especial para marcar 2026, o Ano Internacional das Pastagens e dos Povos Pastoralistas.
Deadline: 1º de junho de 2026
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A movimentação sazonal de pessoas e seus rebanhos moldou, ao longo da história, economias, paisagens e sociedades. Em colaboração com a Aliança Mundial dos Povos Indígenas Nômades e Pastoralistas (WAMIP), a Revista Rooted está preparando uma edição especial para marcar 2026, o Ano Internacional das Pastagens e dos Povos Pastoralistas.
Estamos em busca de experiências e perspectivas que coloquem no centro as vozes, os conhecimentos e as lutas dos povos pastoralistas, nômades e comunidades tradicionais, entendendo a criação de animais como prática vivida, política e criativa.
Hoje, o pastoralismo nômade e transumante sustenta entre 100 e 200 milhões de pessoas em todo o mundo, das paisagens de tundras aos desertos. Essas comunidades protegem grande parte da diversidade genética do gado mundial. Seus modos de vida se baseaim na mobilidade estratégica, aproveitando ambientes naturais marcados pela variabilidade. Essa mobilidade também sustenta a biodiversidade e a saúde das pastagens. Os povos pastoralistas produzem alimentos ricos em proteína com baixo uso de insumos e mantêm meios de vida estáveis há gerações.
Mesmo assim, esses modos de vida estão cada vez mais ameaçados pela escassez de terras, pela fragmentação e cercamento de territórios, por políticas de conservação excludentes, mineração, projetos de créditos de carbono do solo, mudanças no regime de chuvas e grandes projetos agrícolas e de infraestrutura. Essas pressões limitam a mobilidade e o acesso a pastagens, água e minerais, colocando em risco pessoas, rebanhos, direitos e culturas. Nas últimas décadas, muitas comunidades perderam acesso a grandes áreas de pastagem devido a políticas de sedentarização, modernização e desenvolvimento rural. Em muitos lugares, enfrentam discriminação estrutural.
As comunidades pastoralistas e tradicionais não são parte do passado. Em todo o mundo, estão resistindo, se adaptando e criando estratégias e iniciativas que apontam para futuros possíveis. Defendem a mobilidade como um direito, a posse coletiva da terra, a proteção de suas instituições tradicionais e promovem a biodiversidade, a justiça de gênero, a proteção dos conhecimentos locais e a resiliência climática construída pelas próprias comunidades.
Buscamos histórias, reflexões e aprendizados baseados em experiências reais que dialoguem com questões como:
- Quais iniciativas concretas mostram como comunidades pastoralistas estão defendendo direitos coletivos à terra e protegendo meios de vida, biodiversidade, resiliência climática e dignidade?
- Qual o papel dos movimentos pastoralistas em iniciativas territoriais de agroecologia?
- Como essas comunidades estão lidando com conflitos com outros usos da terra, como a agricultura, que podem comprometer a mobilidade e os direitos tradicionais de criação de animais? Como diferentes usos da terra podem coexistir na prática?
- Como princípios agroecológicos, como o bem-estar animal e a biodiversidade (especialmente a diversidade de raças), estão sendo usados ou adaptados para fortalecer sistemas de criação de animais e pastoralismo?
- Quais estratégias comunitárias têm conseguido resistir à perda de terras causada pela mineração, agronegócio, projetos de crédito de carbono ou expansão de áreas protegidas? Como as comunidades dialogam com governos locais, nacionais e regionais para fortalecer seus direitos e sua autonomia?
- Quais formas de governança tradicional, protocolos bioculturais ou uso coletivo da terra têm se mostrado resistentes sob pressão? Qual o papel das cosmovisões nesses processos?
- Como as mulheres dessas comunidades têm alcançado protagonismo nas transformações econômicas, ecológicas ou políticas?
- Como os jovens estão preservando e reinventando futuros que garantam meios de vida sustentáveis e continuidade cultural?
- Como essas comunidades estão protegendo e compartilhando conhecimentos ecológicos locais e práticas tradicionais entre territórios e gerações?
- Como o pastoralismo está se adaptando à crise climática e quais são suas estratégias de resiliência? Como pode contribuir para a biodiversidade, a mitigação climática e a transição agroecológica?
- Como as comunidades estão utilizando tecnologias apropriadas (incluindo digitais) para conhecer melhor seus territórios, conectar comunidades ou fortalecer seus projetos?
- Ou qualquer outro tema relevante relacionado ao pastoralismo, à criação tradicional de animais e à agroecologia.

Como enviar sua contribuição
Convidamos você a enviar um resumo da proposta de artigo, com 250 a 500 palavras, até 1º de junho de 2026. Se a proposta for selecionada, você será convidado(a) a escrever um artigo mais longo. Estamos buscando dois tipos de contribuições:
- Histórias enraizadas: Artigos que compartilham aprendizados a partir de experiências comunitárias e refletem sobre sua importância. O que vocês fizeram? O que funcionou ou não funcionou? Por quê? Que recomendações vocês fariam?
- Opiniões e perspectivas: Artigos baseados em experiências concretas que apresentem análises inovadoras ou propostas para o futuro.
Também aceitamos outras expressões culturais, como poemas, ensaios visuais ou foto-histórias.
Daremos prioridade a contribuições de autores das comunidades pastroralistas e tradicionais e de pessoas diretamente envolvidas ou que apoiam esses movimentos e comunidadess. Queremos reunir conhecimentos práticos e acadêmicos, com contribuições de diferentes regiões do mundo. Não é necessário ter experiência com escrita: nossa equipe editorial dará todo o suporte.
Se sua contribuição for selecionada, pediremos também fotos ou outras imagens para acompanhar o artigo.
Envie seu resumo (em inglês, espanhol, português, suaíli ou francês), incluindo seu nome, organização (se houver) e país, por meio do formulário
Se tiver dúvidas, escreva para: rooted@cultivatecollective.org.
Esperamos receber sua proposta.
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